"Black Opium"

O meu perfume!




Dizem que o perfume que usamos diz muito sobre nós. Se é verdade ou apenas mais um mito, não sei… Mas a verdade é que odeio receber perfumes de presente. Porquê? Considero-os algo demasiado íntimo, pessoal e intransmissível. Existe quase uma aura mística sob o perfume que escolhemos como nosso. É comum associarmos aromas florais a personalidades doces e delicadas e fragrâncias orientais – por exemplo – a alguém ousado e irreverente. E quem são os outros para nos rotularem? Como podem saber o aroma da minha essência? A menos que saibam de antemão a minha escolha, detesto que aconteça.
Durante anos a fio, recebi pelo natal, diversos perfumes. Por algum motivo, sempre com notas cítricas. Característica que não aprecio de todo num perfume. Mas, claro, quem mo ofereceu não tinha como saber… Esta história podia não ter a minima importancia, mas na verdade teve um grande impacto para mim. O facto de receber algo previamente escolhido por alguém, impedia-me de gastar dinheiro a escolher o “meu” perfume. O peso na consciência privava-me de usar a fragrância que realmente queria usar, com medo de alguma forma menosprezar o presente que me tinham dado. Até que decidi que estava na altura, de conceder a mim própria a liberdade de escolher.
O eleito foi o "Black Opium", que ainda hoje, quatro anos depois, faz parte dos meus favoritos e considero especial. A atmosfera rebelde, as vibrações indie rock onde a luz e a escuridão contrastam fizeram com que me apaixonasse por ele assim que vi o anúncio. Mas foram as suas notas viciantes de café preto, flores brancas e baunilha que o tornaram icónico para mim. Quando o uso, sinto que combina na perfeição com quem eu sou e como quero que os outros me vejam. O seu aroma deixa-me confiante.

Emília Ferreira - 4 de Outubro de 2017.